Seja bem-vindo
Porto Velho,22/09/2026

  • A +
  • A -
Publicidade

Sem nenhuma empresa interessada, leilão de R$ 8,4 bilhões do saneamento em Rondônia termina vazio

Aegea, BRK e Acciona eram apontadas como favoritas à disputa, mas nenhuma formalizou proposta; desfecho repete padrão de outros leilões do setor fracassados neste ano em todo o país

Eu Ideal
Sem nenhuma empresa interessada, leilão de R$ 8,4 bilhões do saneamento em Rondônia termina vazio Foto: Daiane Mendonça/Secom
Publicidade

O que você precisa saber

  • O leilão de R$ 8,47 bilhões para a concessão de água e esgoto em 40 municípios de Rondônia terminou sem receber nenhuma proposta.
  • Aegea, BRK e Acciona eram apontadas como favoritas, mas nenhuma formalizou participação no certame.
  • O caso repete um padrão nacional: outros leilões de saneamento em 2026 também tiveram poucas ou nenhuma proposta.
  • O futuro da Caerd e de seus trabalhadores segue em aberto após o desfecho do processo.

Depois de meses de disputa judicial e institucional para garantir seu andamento, o leilão para a concessão regionalizada dos serviços de água e esgoto de Rondônia chegou ao fim nesta terça-feira (22) sem receber uma única proposta. O certame, avaliado em R$ 8,47 bilhões e com contrato de 35 anos, previa a entrega de documentos e propostas comerciais como etapa prévia à sessão pública marcada para o dia 29, na B3, em São Paulo — sessão que agora não terá disputa alguma.



A concessão contemplava inicialmente 40 municípios da Microrregião de Água e Esgoto de Rondônia (MRAE), incluindo a capital Porto Velho, com previsão de R$ 4,2 bilhões em investimentos para expandir e universalizar o abastecimento de água e o esgotamento sanitário no estado. As metas do projeto incluíam alcançar 99% de cobertura em água e 90% em coleta de esgoto até 2033.

Havia expectativa concreta em torno de pelo menos três grandes operadoras do setor: Aegea, BRK e Acciona. Nenhuma delas, no entanto, formalizou a decisão de disputar o certame.

A Aegea, que já opera cinco concessões no estado e atende cerca de 350 mil pessoas em Rondônia, era vista como a favorita natural por já conhecer a operação local, mas a empresa vem em processo de desalavancagem, com aporte recente de acionistas entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2,1 bilhões destinado a reduzir dívidas, não a financiar novos leilões. BRK e Acciona, que formaram consórcio recentemente para disputar uma concessão em Pernambuco, também optaram por ficar de fora da disputa em Rondônia. Nenhuma das três companhias se manifestou publicamente sobre os motivos da ausência.

O caso de Rondônia não é isolado. Em 2026, o setor de saneamento básico enfrentou dificuldades semelhantes em outros estados: na Paraíba, uma PPP teve apenas um concorrente; no Ceará, somente um dos cinco blocos leiloados recebeu proposta única; e em Goiás, a tentativa de conceder o esgotamento sanitário fracassou por completo, com a única proposta apresentada sendo inabilitada e o leilão cancelado, com nova tentativa prevista apenas para 2027.

Analistas do setor atribuem o cenário a uma combinação de fatores macroeconômicos e de mercado: juros elevados, alto nível de endividamento das operadoras após concessões anteriores e um calendário eleitoral que reduz o apetite por grandes investimentos de longo prazo ao longo de 2026. Soma-se a isso a magnitude do desafio nacional do setor — o Brasil precisaria mobilizar cerca de R$ 1,2 trilhão para universalizar o acesso à água potável e ao esgotamento sanitário, com necessidade de investimentos anuais de R$ 95,2 bilhões até 2033, mais que o dobro do volume atualmente contratado no país.

Além do cenário econômico desfavorável, o processo em Rondônia também vinha sendo alvo de questionamentos judiciais e institucionais nos dias anteriores ao prazo final. O Ministério Público de Rondônia (MPRO) havia se manifestado favoravelmente à suspensão temporária da concorrência, citando dúvidas sobre pontos como a Tarifa Social, os descontos tarifários, o valor da outorga, a qualificação técnica exigida e a matriz de riscos do contrato. Uma liminar chegou a suspender o edital por decisão de primeira instância, sendo derrubada pelo presidente do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO) na véspera da entrega das propostas, justamente para permitir o prosseguimento do certame até esta terça-feira.

Com o leilão concluído sem disputa, permanece em aberto o futuro da Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd) e de seus trabalhadores, um dos pontos mais sensíveis discutidos ao longo de todo o processo de concessão.

Ficha do leilão

  • Objeto: concessão regionalizada de água e esgoto em 40 municípios de Rondônia, incluindo Porto Velho
  • Valor estimado do contrato: R$ 8,47 bilhões, por 35 anos
  • Investimentos previstos: R$ 4,2 bilhões
  • Metas até 2033: 99% de cobertura em água e 90% em esgotamento sanitário
  • Prazo final de propostas: 22 de setembro de 2026 — sem propostas recebidas
  • Sessão pública originalmente marcada: 29 de setembro, na B3 (São Paulo)
  • Empresas esperadas que não formalizaram participação: Aegea, BRK e Acciona
  • Pontos ainda em discussão: Tarifa Social, outorga, matriz de riscos, futuro da Caerd e seus trabalhadores



COMENTÁRIOS

Buscar

Alterar Local

Anuncie Aqui

Escolha abaixo onde deseja anunciar.

Efetue o Login

Recuperar Senha

Baixe o Nosso Aplicativo!

Tenha todas as novidades na palma da sua mão.