Bairro abandonado: moradores protestam, cobram prefeitos e exigem asfalto prometido há mais de 30 anos em Cacoal
Revoltados com a falta de infraestrutura, moradores do Novo Cacoal afirmam esperar há mais de três décadas pela pavimentação das vias.
Reprodução Eu Ideal EUIDEAL - Com um banner que dizia "aqui jaz promessas políticas" e placas com as fotos de todos os ex-prefeitos de Cacoal, moradores das ruas Piauí e Avenida Copacabana, no bairro Novo Cacoal, realizaram um protesto público cobrando a pavimentação asfáltica das vias — promessa que, segundo eles, se arrasta há pelo menos quatro gestões municipais.
As placas exibidas pelos manifestantes listavam os prefeitos que passaram pela cidade sem cumprir a promessa: Padre Franco (2009–2016), Glaucione Rodrigues, do MDB (2017–2020), Adailton Fúria (2021–2026) e o atual prefeito Tony Pablo (2026). A mensagem era direta:
"Chega de promessa, queremos asfalto."
A reportagem do Eu Ideal, com o repórter Diego Maia, esteve no local e ouviu os moradores.
"36 anos e ninguém fez nada por nós"
O morador Delmiro Antônio da Silva resumiu a indignação de quem vive há décadas convivendo com poeira, lama e infraestrutura precária. "De quatro em quatro anos eles vêm aqui fazer promessa. Depois passa a eleição, vão embora e nós ficamos aqui na poeira", desabafou.
Delmiro também apontou falhas técnicas em obras já realizadas na região. Segundo ele, quando foi feita a drenagem na rua, foram instaladas manilhas de apenas 80 milímetros de diâmetro, insuficientes para o volume de água que escoa pelo local. "Na avenida vizinha Antônio João colocaram uma manilha de um metro de diâmetro. Por que aqui colocaram uma só de 80? O fluxo da água aqui é muito grande", questionou.
Ele também reclamou do serviço de carro-pipa enviado pela prefeitura para controle da poeira.
"Passam uma vez só. Da segunda vez que voltam, a poeira que eles fizeram não apaga. Já moro aqui há 36 anos e nunca ninguém fez nada por nós. O IPTU vem e a gente tem que pagar. Aonde fica a verba que a gente gasta aqui?", indagou.
Crateras causam acidentes
O morador Matheus reforçou as reivindicações e detalhou os riscos enfrentados diariamente pelos moradores.
"Ano passado fizeram a drenagem em novembro e prometeram que em maio passaria a complementação. Findou maio e mais uma vez não passaram", disse.
Além da falta do asfalto, ele alertou para o perigo das crateras que tomam conta das vias. "Já houve três ou quatro acidentes de moto aqui. O pessoal desce em velocidade um pouco mais alta e cai. Já teve até fratura exposta", relatou.
Muro derrubado e sem conserto
A moradora Edneia trouxe outro drama causado pela falta de drenagem adequada. Segundo ela, a água da chuva derrubou o muro de sua casa, invadiu a residência de sua filha e danificou ainda os muros dos vizinhos dos dois lados. "Foi uma destruição. Vieram consertar? Não. Tá quebrado até hoje", lamentou.
O que foi feito — e o que falta
Segundo os moradores, a única obra efetivamente concluída na região foi a rede de esgoto e parte da drenagem pluvial. A pavimentação asfáltica e a drenagem complementar seguem sem previsão.
"Se falar que fez drenagem, não tem como dizer que foi feito. O que foi feito foi só um reparo", afirmou Delmiro.
Os moradores disseram esperar que o atual prefeito Tony Pablo cumpra o que foi prometido.
"Esperamos que agora ele venha aqui e faça o que tem que ser feito, que é a nossa pavimentação asfáltica", concluiu Delmiro.
Assista a matéria.





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