Após ser afastado pela Polícia Civil por suspeita de rachadinha, vereador pode perder mandato por infidelidade partidária
Processo aberto pela legenda questiona a validade da carta de anuência usada por Thiago Tezzari para migrar ao PSD; parlamentar já havia sido afastado pela Polícia Civil e é alvo de outra investigação da Polícia Federal sobre fraudes envolvendo o SAAE
Vereador Thiago Tezzari concedeu entrevista ao Eu Ideal EUIDEAL - O Tribunal Regional Eleitoral de Rondônia (TRE-RO) coloca em pauta nesta terça-feira (4) um julgamento que pode custar o mandato do vereador Thiago Tezzari. A ação foi movida pelo PSDB de Porto Velho, legenda que o parlamentar deixou para se filiar ao PSD, e discute se essa mudança configurou infidelidade partidária.
O que o PSDB alega
Segundo o partido, a carta de anuência apresentada por Tezzari para justificar sua saída havia sido emitida em um contexto específico: uma possível fusão entre PSDB e Podemos, e não valeria, portanto, para autorizar a desfiliação durante a janela partidária de 2026 — período que, na avaliação da legenda, sequer se aplicaria a vereadores. O PSDB também sustenta que o procedimento previsto no estatuto nacional do partido para desfiliação de parlamentares não foi seguido.
Defesa considera a saída regular
Do outro lado, a defesa de Thiago Tezzari argumenta que a desfiliação seguiu todos os trâmites legais e que a carta de anuência é plenamente válida para autorizar a mudança de legenda. Caso o TRE-RO entenda que houve, de fato, infidelidade partidária, o vereador perde o mandato e um suplente é convocado para assumir a cadeira na Câmara de Porto Velho.
Vereador já havia sido afastado por suspeita de "rachadinha"
O julgamento chega em um momento delicado para o parlamentar. Em outubro do ano passado, Thiago Tezzari foi afastado cautelarmente do mandato por 30 dias após a deflagração da Operação Face Oculta, conduzida pela Polícia Civil de Rondônia em conjunto com o Ministério Público do Estado. A ação apurava um suposto esquema de "rachadinha" e contratação de funcionários fantasmas dentro da Câmara Municipal, com indícios de associação criminosa, peculato e lavagem de dinheiro. Na ocasião, cinco assessores parlamentares também foram afastados, e a Justiça determinou a proibição de acesso de Tezzari à Câmara e de contato com os demais investigados.
Vereador também aparece em investigação da Polícia Federal
Thiago Tezzari também é mencionado em outra frente de apuração: ele presidiu o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Cacoal, órgão que se tornou alvo da Operação Espelho de Papel, deflagrada pela Polícia Federal em novembro do ano passado. A investigação apura um esquema de fraudes em contratos de empréstimos consignados firmados por meio de convênio entre o SAAE e a Caixa Econômica Federal, com o uso de vínculos funcionais simulados para liberar crédito a pessoas que não eram, de fato, servidoras da autarquia. O prejuízo estimado pela PF nesse esquema ultrapassa R$ 1,2 milhão, com mandados cumpridos em Porto Velho, Cacoal, Vilhena e Sorocaba (SP).


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