Justiça de Rondônia revoga prisões e manda soltar investigados da Operação Reduto
Ex-secretário-geral da Alero, Rogério Gago da Silva, e Reginaldo Correia de Lima deixam a prisão, mas seguem investigados por suposto esquema de desvio de recursos públicos na Assembleia Legislativa.
Rogério Gago da Silva e Reginaldo Correia de Lima tiveram as prisões preventivas revogadas. Foto: montagem/Eu Ideal Resumo da matéria
- Justiça de Rondônia revoga as prisões preventivas de dois investigados presos na Operação Reduto.
- Rogério Gago da Silva, o "Tigrão", ex-secretário-geral da Alero, e Reginaldo Correia de Lima deixam a prisão.
- Decisão não representa absolvição; investigação sobre suposto esquema de desvio de recursos públicos continua.
- Operação apura fraude em licitações, peculato, lavagem de dinheiro e possível "rachadinha" na Assembleia.
Dois dos investigados presos durante a Operação Reduto, deflagrada pela Polícia Federal com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério Público de Rondônia (MPRO), deixaram a prisão nesta segunda-feira (28), por determinação da Justiça estadual. A decisão revogou as prisões preventivas de Rogério Gago da Silva, o "Tigrão", e de Reginaldo Correia de Lima, conhecido como "Negão do Redano".
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A medida, no entanto, não representa absolvição nem encerra o processo: os dois seguem investigados e deverão responder em liberdade enquanto a apuração avança na Justiça.
Quem é Rogério Gago da Silva
Rogério Gago foi detido em sua residência, em Porto Velho, durante o cumprimento dos mandados da Operação Reduto. À época, ele ocupava o cargo de secretário-geral da Assembleia Legislativa de Rondônia (Alero) e era apontado como uma das figuras de maior influência na estrutura administrativa da Casa, atuando como um dos principais auxiliares do presidente do Parlamento estadual, deputado Alex Redano (Republicanos).
A revogação das prisões ocorre ainda na fase de investigação e não representa absolvição dos investigados.
Reginaldo Correia de Lima, o segundo beneficiado pela decisão, também havia sido preso na fase ostensiva da operação e passa agora a responder ao processo em liberdade, nas mesmas condições impostas a Rogério Gago.
O que investiga a Operação Reduto
Segundo a Polícia Federal, a operação apura a atuação de uma suposta organização criminosa envolvida em crimes contra a administração pública, entre eles fraude em licitações, peculato, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Uma das linhas investigativas mira ainda um possível esquema de desvio de recursos por meio de contas de servidores comissionados da Assembleia Legislativa — prática conhecida popularmente como "rachadinha".
As investigações começaram em 2024, a partir de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que identificaram movimentações financeiras consideradas suspeitas.
Números da fase ostensiva
Na etapa de cumprimento de mandados, a Polícia Federal executou 19 ordens de busca e apreensão e dois mandados de prisão preventiva, além de determinar o afastamento de 11 servidores públicos. A Justiça também autorizou o bloqueio de bens e ativos financeiros dos investigados, no valor de até R$ 9 milhões, medida voltada a preservar provas e garantir o avanço das apurações.
Assembleia prometeu nota, mas não se manifestou
No dia da deflagração da operação, a reportagem procurou o secretário de Comunicação da Alero, Mateus Andrade, em busca de um posicionamento institucional. Ele afirmou, na ocasião, não ter conhecimento da prisão de Rogério Gago e informou que a Casa divulgaria uma nota oficial sobre o caso — comunicado que, até a publicação desta matéria, não havia sido disponibilizado.
Apesar da soltura dos dois investigados, a Operação Reduto continua em andamento, com acompanhamento da Polícia Federal, da CGU e do Ministério Público de Rondônia. Os fatos seguem sob apuração, e eventuais responsabilidades só serão definidas ao longo do processo judicial, assegurado o direito ao contraditório e à ampla defesa a todos os envolvidos.


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